Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
Viva Chopin
Tenho para mim que, no que respeita à música, já nada permanece como antigamente. E por não permanecer quero dizer é tão mais difícil, hoje em dia, a música perpetuar-se e ultrapassar a barreira do tempo como a que ainda nos chega de há 100, 200 ou mais anos. Tornou-se um fenómeno de modas, fenómenos que, na sua maioria, desaparecem tão depressa como aparecem e muitos nem precisam de vocação ou talento... a tecnologia resolve! Não sabe tocar? Não faz mal, o computador toca pela pessoa. Desafina a cantar? Não faz mal, o afinador electrónico trata do assunto. Há por aí boa música? Sim, claro que há, mas ainda prefiro os antigos. Estes não eram apenas músicos, eram muito mais: podiam ser, por exemplo, um chef que nos delicia com uma qualquer iguaria. Eram mesmo muito mais: aquela peça não se resumia a uma soma de notas, eram ingredientes, eram sentimentos, uma história que nos é contada pelo compositor ou a liberdade de nós próprios criarmos a história que ouvimos. Era sabedoria, estudo, criatividade, drama, amor...uma vida que nos era dada a conhecer. Chopin era um destes e a vénia que lhe é devida só é possível na medida em que a sua obra for perpetuada. Obrigado Chopin!
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