Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Ainda sobre os casais homosexuais, adopções por casais homosexuais, etc, costumava dizer um conhecido meu: " Dantes eram perseguidos, depois censurados, mais tarde tolerados, agora bem aceites. O melhor é irmos daqui embora antes que isto se torne obrigatório!". Lá chegaremos, meu caro, lá chegaremos. De facto o que se fez foi alterar e redefinir a noção de casamento para abranger casais homosexuais destruindo o conceito milenar de família assente em polos opostos e comlementares, uma visão da chamada natureza das coisas que se tem pela mera observação e common sense, e isto foi alterado porque uns quiseram e outros patrocinaram, praticamente sem aviso prévio.
Muito bem, já têm o civil e as noivas de santo António, culturalmente  próximo do casamento católico, o sonho gay de matrimónio elas de véu e grinalda e eles de fraque ou coisa que o valha. No fundo  há aqui uma espécie de provocação, um desejo de ser "igual" quando se não é, é o "yes we can" do movimento gay, entre folclore e coisas sérias. Justiça é, no fundo,  tratar o igual como igual e o diferente como diferente. Apenas e tão somente.

2 comentários:

  1. olá!
    vencer a barreira do preconceito não se consegue numa geração.
    num país africano condenam os homossexuais à morte, considerando a prática homossexual um crime gravíssimo. a inquisição queimava as pessoas condenadas por sodomia.
    em 2004 a igreja católica espanhola desencadeou manifestações de milhares de pessoas contra o casamento homossexual. ao comemorar a lei cinco anos já ninguém se mostrou interessado em manifestar-se contra. os preconceitos mostram muita da nossa irracionalidade. e como são ilógicos podem abater-se num ápice, como o muro de berlin.
    a sociedade ocidental já realizou enormes avanços no sentido da aceitação da diferença, facilmente constatáveis quando se viaja por um país islâmico.
    um abraço, ângelo

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  2. Olá Ângelo

    Antes de mais agradeço o seu comentário. Gostaria de dizer que sou totalmente contra qualquer forma de violência ou perseguição seja por que motivo for, especialmente por questões do foro íntimo. Julgo que a discussão actual em Portugal não é a admissibilidade (indiscutível) da homo sexualidade como forma de manifestação sexual. O que se discute é a bondade de uma lei que altera a noção de casamento para que “encaixe” em situações que, na minha opinião, mereciam um tratamento diferente, o que acontece em vários países tidos como do primeiro mundo. Não vejo aqui um progresso social mas uma espécie de salto quântico até porque se é o reconhecimento social do casamento que os casais gays pretendiam, e é-o no fundo, esse reconhecimento é dado pelos pares e não por decreto. A lei foi de certo modo imposta, com legitimidade é certo, por um grupo a toda a comunidade, alterando um pilar essencial que, a meu ver, deveria ter sido mantido. Depois, a própria lei foi de certa forma hipócrita ao excluir a adopção, o que aliás nem é possível ou teríamos dois regimes de casamento, casamentos de segunda e de primeira, pelo que será inconstitucional a menos que venha a incluir o direito a adoptar. Curiosamente, encontro uma certa arrogância em alguns defensores desta lei ( não é o seu caso em que senti antes uma preocupação pelas liberdades individuais e abolição de preconceitos) quando manifesto a minha opinião argumentam como se fosse atrasada o que não abona muito em favor da tolerância.
    A gracinha ou graçola inicial era apenas isso. Uma piada, uma vez que não existem tabus ao humor nem, a meu ver, matérias excluídas.
    O facto de não concordar com os moldes em que esta lei foi feita não quer dizer que, da minha parte, tolere perseguições a homo sexuais e não me parece que quem está contra esta lei seja forçosamente homofóbico, da mesma forma que quem era a favor da despenalização do aborto ( o meu caso) não era por isso a favor do aborto propriamente dito dado que ninguém é a favor do aborto, julgo.
    As ditaduras socialistas aboliam o casamento por burguês e conservador e é agora a esquerda a apoderar-se desse “património” porque subitamente lhes convém. Então não devia ser tudo amor livre? 

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